FONTE: CORURIPE.AL.GOV.BR
Texto: Anne Rose/ Fotos: Danilo Oliveira
A Prefeitura de Coruripe, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, realizou a Oficina de Cartografia Social, promovendo um espaço de escuta, troca de experiências e construção coletiva de conhecimento sobre o território. A iniciativa teve início no distrito de Barreiras, reunindo pescadores, marisqueiras, empreendedores e diversos moradores da comunidade.
A programação contou com a apresentação do projeto Pró-Manguezais e orientações para a oficina de mapeamento temático. Divididos em grupos, os participantes elaboraram mapas com o apoio de alunos do curso de Geografia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), integrantes do projeto de extensão EducAPA. Os materiais produzidos refletem percepções, vivências e desafios relacionados à realidade ambiental local.
Os grupos também participaram de uma avaliação coletiva dos resultados, fortalecendo o diálogo entre diferentes olhares sobre o território. Em seguida, foi aplicada a Matriz SWOT, ferramenta estratégica que permite identificar forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, contribuindo para um planejamento mais participativo e eficiente. O material será transformado em um relatório que será encaminhado aos órgãos competentes nas esferas municipal e estadual, com o objetivo de subsidiar e aprimorar as políticas públicas voltadas às áreas em questão.
A atividade contou com a participação de diversas instituições, como o Ministério Público de Alagoas, o Ministério Público Federal, o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), a Secretaria de Meio Ambiente de Marechal Deodoro, a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), por meio de alunos e professores, além do Projeto de Extensão EducaAPA e da Associação dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis São José (ASCAMARE), reforçando o caráter colaborativo da iniciativa.
O prefeito Marcelo Beltrão participou da atividade e destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento da participação popular e da preservação ambiental no município.
“É uma alegria estar próximo da nossa população, participando de um momento tão importante para Coruripe. Quero reconhecer o trabalho de todos os envolvidos na Oficina de Cartografia, especialmente dos profissionais que contribuem para o mapeamento e a compreensão do nosso município.
No passado, foi discutido a instalação de empreendimentos em áreas de manguezais. Havia expectativa de emprego, mas hoje vemos que a não realização desses projetos preservou um dos nossos maiores patrimônios: o estuário e os manguezais, essenciais para a biodiversidade e para a economia local. Atualmente, essas áreas têm grande potencial turístico e representam uma fonte sustentável de riqueza.
Também faço um alerta sobre práticas inadequadas, como o aterramento de mangues. Precisamos de mais conscientização e responsabilidade coletiva. Coruripe se destaca como um dos municípios mais preservados da região, fruto do esforço conjunto entre poder público e população.
Ações como esta oficina fortalecem a educação ambiental e mostram que a preservação depende de cada um de nós. Cada um precisa fazer a sua parte para garantirmos um futuro sustentável”, reforçou o gestor.
A secretária municipal de Meio Ambiente, Luana Spotorno, destacou a relevância da iniciativa para o fortalecimento das políticas públicas no município.
“Essas oficinas são fundamentais porque promovem a participação ativa da comunidade na construção de soluções. A cartografia social amplia o olhar sobre o território e fortalece o compromisso coletivo com a preservação ambiental, especialmente dos nossos manguezais”, afirmou.
O promotor de Justiça e coordenador do projeto Pró-Manguezais ressaltou o papel da participação popular na construção de políticas públicas mais eficazes.
“A atividade de hoje, com a participação da comunidade, é fundamental para a construção de políticas públicas mais eficientes, voltadas à conservação e preservação desse ecossistema tão importante do bioma Mata Atlântica. Fico muito feliz em ver a comunidade participando ativamente, não apenas trazendo seus problemas e dificuldades, mas também apresentando propostas de solução. Isso mostra um compromisso coletivo com o futuro da região”, frisou.
A professora do curso de Geografia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Simone Affonso, explicou de forma acessível como funciona o trabalho desenvolvido junto às comunidades e a contribuição da universidade dentro do projeto.
“O projeto Pró-Manguezais busca entender, junto com a população, o que está acontecendo no território para, a partir disso, planejar ações mais eficazes. Nas oficinas de cartografia social, nós conversamos com os moradores e construímos mapas com base no olhar de quem vive ali no dia a dia. A comunidade indica onde estão as áreas preservadas, os pontos de degradação, as atividades econômicas e os principais desafios enfrentados. Essas informações são muito valiosas, porque muitas vezes não aparecem em imagens de satélite ou estudos técnicos”, ressaltou.
Representando a comunidade, a presidente da Associação dos Ostreicultores (AOBARCO) destacou a importância da oficina para dar visibilidade às demandas locais e fortalecer a organização dos trabalhadores.
“Para mim, é de suma importância estar participando desta Oficina de Cartografia, porque é aqui que a gente consegue entender melhor nossas necessidades e levar isso para os nossos associados. Esse momento é muito importante, porque todos nós batemos na mesma tecla: a necessidade da nossa sede, que já foi liberada, mas que a gente ainda espera que se torne realidade.
A nossa intenção é crescer, garantir mais lucratividade não só com as ostras, mas também com o nosso artesanato, com a nossa culinária e tudo o que podemos oferecer para a população e para a comunidade, gerando benefícios para todos através da associação.
Como moradora de Barreiras há 57 anos, eu também estou aqui para apontar o que a gente mais precisa, principalmente a melhoria do nosso rio e de tudo que possa trazer mais qualidade de vida para a nossa comunidade”, finalizou a presidente da AOBARCO.
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