fonte: Maceió.al.gov.br
Mais do que reunir serviços em um único endereço, a programação especial realizada aos sábados pela Casa do Autista de Maceió tem criado oportunidades para que famílias atípicas encontrem acolhimento, orientação e respostas para demandas que, muitas vezes, levam meses para serem solucionadas.
Na mais recente edição, no sábado (19), mães de diferentes regiões de Maceió e até do interior de Alagoas passaram pelo espaço em busca de atendimento médico, orientações e encaminhamentos, além de participarem da Feira das Famílias Empreendedoras.
Moradora do bairro Petrópolis, Leia Lemos levou os filhos gêmeos Lucca e Luigi Lima, 8 anos, para serem avaliados. Mãe de duas crianças autistas, ela conta que aguardava há algum tempo por um espaço como a Casa do Autista e vê na iniciativa uma possibilidade de ampliar o acesso ao cuidado e também de promover mais inclusão. “Eu já esperava por isso há um bom tempo. Desde que foi anunciado que ia sair a Casa do Autista, eu já fiquei muito feliz, porque eu tenho dois autistas. No momento, eles estão sem tratamento, então fiquei muito feliz em ter esse espaço para avaliação”, relatou.
Leia Lemos falou que a importância da Casa também ultrapassa os atendimentos oferecidos às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Eu acho que a inclusão começa com as pessoas conhecendo. Quem não tem um autista na família pode vir, conhecer, se informar e buscar conhecimento sobre a causa. Hoje em dia está bem difícil para nós, como pais e mães, incluir nossos filhos em pequenas atividades diárias. Então, esse espaço estar aberto à população vai ser muito bom para a inclusão deles na sociedade como um todo”, disse.

A experiência de Izabela Santos Almeida também revela como a concentração de serviços em um único local pode fazer diferença na rotina das famílias. Moradora da Cidade Universitária, ela vive em Maceió há oito meses e conta que, desde que chegou à cidade, enfrentava dificuldades para conseguir a renovação da receita médica e da carteirinha do filho, Enzo Gabriel, 12 anos.
“Há oito meses eu moro aqui e faz oito meses que estou tentando a renovação da receita dele e da carteirinha. Hoje eu consegui com praticidade e sendo muito bem atendida. Oito meses com meu filho sem receita, com o tratamento sendo regredido por estar sem medicação, e hoje fui bem atendida. Foram supereducados, me atenderam, renovaram a receita e a carteirinha”, contou.
Natural de Minas Gerais, Izabela também destaca uma característica que, segundo ela, torna a iniciativa ainda mais especial, que é a existência de um espaço dedicado às famílias autistas. “Esse projeto da Casa do Autista aqui não tem lá em Minas. Eu acho maravilhoso o espaço, a educação de todos que atendem a gente aqui. É muito maravilhoso”, acrescentou.
A programação também abriu espaço para as mães que transformaram o empreendedorismo em uma alternativa de geração de renda. Camila Calheiros, moradora da Jatiúca, é empreendedora e mãe de uma criança autista de 6 anos. Para ela, participar da Feira das Famílias Empreendedoras representa mais uma forma de acolhimento e valorização das famílias.
“Sou mãe atípica, sou empreendedora, tenho um filho de seis anos e estou aqui para aproveitar esse espaço acolhedor, onde as mães atípicas estão expondo seus trabalhos. Isso para a gente é muito importante, porque a gente se sente privilegiada e acolhida por ter uma família atípica. Isso prova que esse espaço veio, de fato, para abraçar essas famílias”, disse.

Para Camila, a possibilidade de estar em um ambiente que reúne cuidado, convivência e oportunidades fortalece a sensação de pertencimento. “Fica aqui o meu agradecimento pela oportunidade de fazer parte de um momento especial como esse da Casa do Autista”, completou.
A programação também recebeu famílias que vieram de outras cidades alagoanas. Moradora de Olho d’Água das Flores, Vanderleia Silva Alves acompanhou o filho Victor Silva Alves, 6 anos, durante o atendimento. “Quero agradecer. Fui bem recebida, o médico me atendeu bem e tratou meu filho super bem”, relatou.

Para Camila Porciúncula, diretora-presidente do Maceió Saúde, ouvir os relatos das mães ajuda a mostrar, na prática, a importância de aproximar os serviços das necessidades reais das famílias. “Quando uma mãe chega até a Casa com uma demanda que há meses não conseguia resolver e sai daqui com uma orientação, um encaminhamento ou um atendimento realizado, conseguimos perceber o impacto que esse espaço pode ter na vida das famílias. Nosso trabalho é justamente contribuir para que o cuidado seja mais acessível, organizado e acolhedor”, pontuou.
A gerente-geral da Casa do Autista, Fabiana Lisboa, ressaltou que o acolhimento às famílias faz parte de uma visão ampliada de cuidado. “A criança ou o adolescente não chega sozinho à Casa. Existe uma família, uma história e muitas vezes uma trajetória de busca por atendimento. Por isso, ouvir essas mães, entender suas necessidades e oferecer orientação também é cuidar. Nosso objetivo é que elas encontrem aqui não apenas profissionais, mas um espaço onde possam ser escutadas e orientadas”, complementou.
Com uma equipe multiprofissional formada por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos, a Casa do Autista amplia o olhar sobre o cuidado de crianças e adolescentes com TEA. A proposta considera não apenas as necessidades clínicas, mas também aspectos sociais, educacionais, familiares e de convivência.
Durante as ações aos sábados, que são abertas para toda a acomunidade, as famílias também podem encontrar serviços e orientações de diferentes áreas, como aconselhamento jurídico, emissão de carteirinhas para pessoas com deficiência e idosos, orientações sobre o Benefício de Prestação Continuada (BPC), Cadastro Único e CRAS, encaminhamentos para creches, DMTT, vacinação e atendimento médico. A programação inclui ainda atividades de convivência, corte de cabelo e a Feira das Famílias Empreendedoras.










