Amorfo, JHC ataca imprensa e processa três jornalistas por dia

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Liberal, prefeito de Maceió usa judicialização para intimidar a imprensa

O prefeito de Maceió, JHC (PL), não concede entrevistas coletivas nem presta contas à imprensa em nenhuma circunstância, muito menos em momentos de crise. Desde o prejuízo nas aposentadorias dos servidores municipais, após o investimento de R$ 117 milhões no Banco Master, o silêncio deu lugar a uma postura de enfrentamento contra jornalistas.

Já são mais de 30 notificações extrajudiciais contra profissionais da imprensa e ao menos quatro pedidos judiciais de retirada de matérias do ar. Detalhe: em publicações nas quais não há comprovação de qualquer agressão pessoal.

Filiado ao Partido Liberal, legenda que historicamente defende a liberdade de expressão, JHC recorre a um grande escritório de advocacia para pressionar veículos de comunicação. Entre quarta-feira (11) e quinta-feira (12), foram protocoladas três novas ações judiciais.

O prefeito também coleciona mudanças de posicionamento político. Já foi filiado a partido de esquerda, migrou para o campo liberal e agora sinaliza nova inflexão. Já esteve próximo de Lula, depois de Bolsonaro, voltou a elogiar Lula recentemente. Nos bastidores, comenta-se que pode apoiar a reeleição do presidente, em um movimento que envolveria articulações para a indicação da tia, Marluce, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

JHC já foi crítico dos Calheiros, mas há meses evita confrontos com o grupo dos Renans. Já atacou Arthur Lira, mas hoje mantém relação alinhada com o deputado. Já criticou a Gratificação por Dedicação Exclusiva (GDE) da Assembleia Legislativa; na Prefeitura, porém, mantém gratificações que chegam a 70% acima do salário para cargos de confiança. Também se posicionou contra a criação de cargos, mas ampliou significativamente o número de comissionados.

Com a Polícia Federal rondando o noticiário político e a tensão crescente nos bastidores, o prefeito acumula compromissos que parecem incompatíveis entre si. Há relatos de que teria acordado com o vice-prefeito Rodrigo Cunha disputar outro cargo, abrindo espaço na Prefeitura. A aliados diferentes, teria sinalizado projetos distintos: governo, Senado, composições cruzadas.

É impossível cumprir todas as promessas ao mesmo tempo. Em política, quando se promete tudo a todos, alguém inevitavelmente ficará sem nada.

Como as decisões são tomadas a portas fechadas e o prefeito evita o confronto público com a imprensa, sobra especulação. Informação oficial, pouca. Transparência, menos ainda.

A retórica muda. A prática, nem tanto.