Audiência pública na Câmara debate as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência

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fonte: Maceió.al.leg.br

Por meio de uma proposta da vereadora Teca Nelma, a Câmara Municipal promoveu na tarde desta sexta-feira (13), uma audiência pública para discutir as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência. 

Estiveram presentes e compuseram a mesa de honra, a secretária-executiva da Pessoa com Deficiência de Alagoas, Marina Dantas; a presidente da Associação de Mulheres com Deficiência em Alagoas, Aninha Tributino; Maurício Ramos, arquiteto, urbanista e especialista em mobilidade urbana; e o presidente da Rede de Pessoas com Deficiência, professor Edmilson de Sá.  

Para a vereadora Teca Nelma, que presidiu a audiência pública, defender os interesses das pessoas com deficiência é uma necessidade urgente. 

“Se estamos aqui para reivindicar direitos, é porque temos direitos sendo desrespeitados, sobretudo quando se fala em inclusão e acessibilidade, que são temas que ainda precisam de muitos avanços. Tenho um sentimento de esperança e nos motiva todos os dias a lutar por uma causa tão justa e necessária. Seguiremos trabalhando, discutindo e agindo por mais inclusão, acessibilidade, mais respeito e mais dignidade”, garantiu a parlamentar. 

Em seguida, a secretária Marina Dantas reforçou que é fundamental respeitar a Lei da Inclusão. 

“Falar de transporte público é tratar de cidadania e respeito aos direitos. É relevante e importante que a Lei de Inclusão atenda a necessidade das pessoas com deficiência. Sabemos das dificuldades que as pessoas com deficiência em Maceió enfrentam com pontos de ônibus não acessíveis, profissionais que não estão capacitados e elevadores que não estão disponíveis. Tudo isso compromete a vida destas pessoas, dificulta acesso ao trabalho, serviços de saúde, ir à escola. É uma escuta ativa importante nesta audiência”, analisa.  
 

Já Aninha Tributino ressaltou que a audiência pública promoveu um debate qualificado, mostrando que as pessoas com deficiência precisam de autonomia e segurança. 

“Estávamos precisando de um debate qualificado como este. Defender o transporte público é ter em Maceió ônibus de qualidade que nos garantam autonomia e segurança. Precisamos que essa audiência tenha resultados para nós, e que sejamos beneficiados para termos uma rotina normal. Depender do transporte público com ônibus tem sido uma complicação, e nos dias de chuva, a situação piora. São pontos de ônibus inadequados, muitos ônibus com elevador quebrado, e tudo isso precisa ser levado ao conhecimento do Município”, ressaltou. 

Para o arquiteto e professor Maurício Ramos, muitos problemas enfrentados pelas pessoas com deficiência são decorrentes da ausência de educação e empatia de muitos profissionais. 

“O ambiente inacessível é um dos vilões das pessoas que necessitam de um grande suporte para se locomover em Maceió. Vivemos em uma cidade maravilhosa, mas que 100% dos ônibus tem plataformas de elevação, mas muitas delas não funcionam. Infelizmente, temos trabalhadores que não respeitam as pessoas idosas, pessoas com deficiência e isso também é um complicador. O Plano de Mobilidade Urbana está incompleto, o Plano Diretor está defasado, e esses mecanismos também tornam a vida das pessoas com deficiência mais complexa”, avalia.

O professor Edmilson de Sá defendeu que as pessoas com deficiência sejam auxiliadas para enfrentar uma série de adversidades, a exemplo das barreiras arquitetônicas, urbanísticas, de transporte, comunicação, tecnológicas e a “famigerada barreira atitudinal”. 

“O processo de invisibilidade é extremamente cruel com as pessoas com deficiência. Se todas as pessoas tivessem autonomia e acessibilidade, hoje teríamos mais pessoas com deficiência usando o transporte coletivo. O cenário de hoje, por exemplo, é que quando eu entro no ônibus, não há mais que uma pessoa [no caso eu], dentro daquele veículo. Se faz muito necessário modificar esta situação, esta realidade, bem como é preciso mudar a forma como o transporte coletivo, os transportes, estão equipados para receber as pessoas com deficiência”, contextualiza o professor. 

A audiência pública também contou com abordagens de pessoas com deficiência que representam a sociedade civil organizada, associações, entidades, que relataram diversas dificuldades sobre a locomoção na capital alagoana.

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