O vice-presidente da APAE Brasil, Léo Loureiro, fez um discurso firme e provocativo ao abordar um dos principais gargalos da saúde pública no país: a judicialização excessiva de serviços e tratamentos. Segundo ele, o modelo atual tem provocado distorções financeiras que enfraquecem instituições sérias e comprometidas com o atendimento especializado, especialmente na área do autismo.
“Hoje nós temos um problema grande, que é a judicialização que atrapalha”, afirmou Léo. De acordo com ele, os valores pagos por estados e municípios para cumprir decisões judiciais chegam a ser 40 ou 50 vezes maiores do que os valores previstos na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). “Muitas vezes, esses recursos vão para clínicas particulares por meio de ações judiciais, enquanto instituições filantrópicas, que já fazem esse trabalho com responsabilidade e dedicação, seguem lutando para sobreviver.”
O alerta do vice-presidente Léo Loureiro é a incoerência no fluxo de recursos públicos. Para ele, se há dinheiro para pagar procedimentos via judicialização, com valores elevados, também deveria haver prioridade para fortalecer entidades que já prestam atendimento especializado de forma estruturada, como é o caso das APAEs em todo o Brasil.
“Se o governo tem dinheiro para pagar via judicialização, ele tem condições de pagar para uma instituição que cuida de gente e faz um trabalho sério, a exemplo da APAE, para cuidar de uma pessoa com autismo”, pontuou.
Durante a fala, Léo Loureiro também destacou a realidade financeira das instituições filantrópicas. Segundo ele, 90% dessas entidades sobrevivem com base em emendas parlamentares, doações e muito esforço institucional.
“Sem representatividade política, não se faz política pública”, declarou, enfatizando a necessidade de articulação e presença ativa no debate legislativo e orçamentário. Para o vice-presidente, a ausência de representatividade enfraquece a construção de políticas estruturantes e perpetua a dependência de recursos pontuais.
Ele reconheceu que a luta é árdua. “Não é fácil brigar quase sozinho. Mas eu continuo. Porque eu sei por quem eu estou lutando.” A frase foi recebida como um recado direto sobre a importância de dar visibilidade às pautas da pessoa com deficiência e fortalecer instituições que atuam diretamente no atendimento às famílias.






