Texto: Anne Rose/ Fotos: Danilo Oliveira
A cultura popular e as tradições de Coruripe foram celebradas nesta sexta-feira (21), durante o VI Festival do Folclore de Coruripe, realizado na Praça Castro Azevedo. Promovido pela Prefeitura de Coruripe, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, o evento reuniu diferentes manifestações artísticas e culturais que fazem parte da identidade e da memória do município.
A programação contou com a entrega de certificados aos participantes das oficinas de artesanato, além de uma mostra das peças produzidas durante as atividades, destacando o talento, a criatividade e o trabalho dos artesãos locais.
O público também acompanhou uma programação diversificada de apresentações culturais. Subiram ao palco o Grupo Zumbi de Capoeira, Grupo de Baianas Praieiras, Xaxado Asa Branca, Grupo Cultural Raízes – Projeto Renascer, Taieiras de Coruripe, Ballet Municipal de Coruripe, Banda de Música José Azevedo Vasconcelos, Orquestra Municipal de Coruripe, Bumba Meu Boi Corurugy, Mané do Rosário, Adágio Estúdio de Dança, Ballet da AABB Coruripe, Grupo de Violão da Cultura e a Quadrilha Junina Dona Alcina.
Para o secretário municipal de Cultura, Ricardo Curvello, o festival representa a continuidade de um trabalho de resgate e valorização das tradições culturais do município.
“É com muito prazer que estamos aqui mais uma vez celebrando o Dia do Folclore. Desde que o prefeito Marcelo Beltrão e o vice-prefeito Zé Enéas começaram a resgatar toda essa tradição cultural do município, temos vivido momentos como este, reunindo muitas representações culturais, como as Baianas Praieiras, a capoeira e tantas outras manifestações. É muito importante resgatar essa tradição e mantê-la viva no coração de todos os coruripenses.”
O secretário também destacou a participação das famílias e o trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Cultura.
“Meu agradecimento não é só pela confiança do prefeito Marcelo Beltrão e do vice-prefeito Zé Enéas, mas também a vocês, pais e cidadãos de Coruripe, que confiam no trabalho da Secretaria de Cultura e permitem que seus filhos participem conosco. Temos muitos projetos para crianças, jovens, adultos e para todas as idades. A cultura é para todos. Viva o folclore e viva a cultura alagoana.”
Cultura que atravessa gerações
Um dos momentos de destaque da programação foi o lançamento do livro Folguedos da Minha Terra, da jornalista e escritora Tatiane Almeida. A publicação reúne registros de manifestações da cultura popular alagoana e inclui folguedos de Coruripe, eternizando em imagens e palavras a história de mestres e grupos que mantêm essas tradições vivas.
Tatiane Almeida, que atualmente atua na Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas, destacou o carinho e a importância de Coruripe para o registro da cultura popular.
“É um prazer estar aqui em Coruripe, um município que me recebeu de braços abertos e que eu sempre tenho orgulho de dizer que abraça a cultura popular. Foi aqui que encontrei folguedos que permanecem vivos pelas mãos de mestras maravilhosas. Eu levei esse livro para o mundo, ele já passou por vários lugares, e hoje não poderia ser diferente: eu precisava estar aqui em Coruripe.”
Durante o lançamento, a escritora também homenageou representantes dos folguedos registrados na publicação, entre eles as mestras Maria Betânia, das Baianas Praieiras, e Maria Benedita, do Mané do Rosário. Elas receberam exemplares do livro, que passa a ser também um registro da contribuição de cada uma para a preservação da cultura popular.
“Esses livros vão ficar eternizados aqui, registrando os nossos folguedos. E uma salva de palmas não para mim, mas para todos vocês que mantêm a cultura viva em Coruripe”, destacou Tatiane.
Para a Mestra Maria Betânia, das Baianas Praieiras de Barreiras e reconhecida como Patrimônio Vivo, o lançamento representa mais do que uma homenagem: é o reconhecimento de uma trajetória dedicada à preservação da cultura.
“Hoje eu me senti muito importante e muito valorizada por causa desse livro, desse lançamento. Eu sou Patrimônio Vivo, mas hoje me senti uma pessoa muito valorizada, acolhida e reconhecida também fora daqui, porque estou mantendo a cultura viva.”
Com emoção, a mestra explicou que preservar a cultura significa garantir que os conhecimentos e tradições continuem sendo transmitidos às novas gerações.
“Eu trabalho para manter essa cultura, resgatar e passar de geração para geração. Esse é o legado que minha mãe deixou, e eu continuei dando continuidade. Já ensinei para o grupo das Marias, tenho o grupo de Xaxado com minha filha Juliana e hoje também fundei uma associação cultural que leva o nome da minha mãe, Associação Cultural Mestra Maria Padeiro, para não deixar a cultura acabar.”
Betânia também falou sobre a relação afetiva que construiu com a cultura ao longo dos anos e sobre a alegria de trabalhar com crianças e jovens.
“Eu gosto de trabalhar com cultura. Quando estou no meio das crianças, eu me sinto criança também, fazendo aquilo que gosto, aquilo que amo. Hoje eu me senti muito importante e muito feliz.”
A cultura também transforma vidas
Além dos mestres e grupos tradicionais, o festival também mostrou como as atividades culturais desenvolvidas no município alcançam novas gerações. Entre os participantes esteve Alana, de 7 anos, que integra o Ballet e se apresentou durante a programação.
Para a mãe da criança, Ana Carla, acompanhar o desenvolvimento da filha por meio da dança é motivo de orgulho.
“É sempre um prazer ver a minha filha se apresentando. Ela já está no balé há dois anos e é muito gratificante vê-la se desenvolvendo a cada apresentação, hoje com mais delicadeza e mais postura. É uma honra ter minha filha participando do balé. Sou grata por esses projetos que transformam vidas.”
O VI Festival do Folclore reforçou, assim, o papel da cultura como instrumento de preservação da memória, formação de novas gerações e valorização dos artistas e mestres que ajudam a contar a história de Coruripe. Encerrando a programação, o público acompanhou o show do cantor Luiz Fernando, que levou muita MPB para a Praça Castro Azevedo.
A realização do VI Festival do Folclore de Coruripe contou com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas e do Ministério da Cultura – Governo Federal.
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