MP denuncia 11 pessoas e pede mais de 400 anos de prisão por fraudes fiscais em AL

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fonte: emergencia190.com

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal e Lavagem de Bens (Gaesf), denunciou 11 pessoas à Justiça e pediu condenações que somam 411 anos de prisão contra integrantes de uma organização criminosa investigada no âmbito da Operação Portorium.

Segundo o MPAL, as penas requeridas envolvem crimes como fraudes tributárias estruturadas, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e corrupção. Do total solicitado, 200 anos e dois meses de prisão são atribuídos aos três apontados como líderes do esquema.

A investigação teve início a partir da atuação de uma empresa de importação de vinhos, apontada pelo Gaesf como uma das maiores devedoras de ICMS do Estado de Alagoas. De acordo com o Ministério Público, a dívida tributária ultrapassa R$ 100 milhões devido ao não recolhimento do imposto estadual.

Esquema investigado

Conforme a denúncia apresentada pelo MPAL, a organização criminosa era comandada por três sócios ocultos, que utilizavam pessoas interpostas e um “testa de ferro” para esconder a estrutura real do grupo e realizar as atividades consideradas ilícitas.

Ainda segundo o órgão, além da empresa principal, o esquema utilizava empresas de fachada, conhecidas como “paper companies”, registradas em nome de terceiros, que seriam usadas para blindagem patrimonial e movimentação de milhões de reais, dificultando a identificação dos verdadeiros beneficiários.

A denúncia foi apresentada à 17ª Vara Criminal da Capital, especializada no combate ao crime organizado. Entre os denunciados, estão um servidor da Secretaria de Estado da Fazenda de Alagoas (Sefaz/AL), recentemente aposentado e já investigado em outra operação do Gaesf, além de uma analista do Poder Judiciário. 

O Ministério Público informou que não descarta o aditamento da denúncia para incluir outros envolvidos que possam ser identificados durante o andamento das investigações.MP pede condenações que somam 411 anos de prisão na Operação Portorium. Foto: MPE

Processo Administrativo de Responsabilização

Como desdobramento da Operação Portorium, o Gaesf informou que solicitará à Sefaz/AL a abertura de Processo Administrativo de Responsabilização (PAR), com base na Lei Federal nº 12.846/2013, conhecida como Lei Anticorrupção.

O grupo também comunicará a Receita Federal para participação nas próximas etapas da investigação.

Segundo o promotor de Justiça Cyro Blatter, coordenador do Gaesf, a denúncia reforça a atuação do Ministério Público no combate às organizações criminosas, à lavagem de dinheiro e à sonegação fiscal, com foco na defesa do patrimônio público e da ordem tributária. 

Nome da operação

A Operação Portorium recebeu esse nome em referência ao termo utilizado na Roma Antiga para designar direitos aduaneiros, pedágios e tributos cobrados sobre o transporte de mercadorias entre cidades, estradas e fronteiras.